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Procuradoria-Geral do Estado recebe fotografias restauradas de Luiz Braga

As fotografias datam desde o ano de 1985 e mostram, além das várias sedes da Procuradoria ao longo da história, locais icônicos de Belém e diversas cenas do dia a dia da cidade, registradas sob o olhar artístico de Luiz Braga. Desde a aquisição das obras pela PGE, em 1997, as obras sofreram com a passagem do tempo e necessitavam de restauro.

O processo de restauração foi resultado de reuniões entre o fotógrafo e a comissão da Procuradoria, além de visitas técnicas, coleta, reimpressão e devolução das obras. A entrega foi realizada nesta quarta-feira (12), na sede da instituição, pelo próprio Luiz Braga, momento em que também marcou a instalação oficial da Curadoria de Arte.

A Curadoria de Arte da PGE tem um trabalho diferenciado na instituição: promover a integração entre os servidores e procuradores com a arte. Composto por membros da Procuradoria, o grupo trabalha nas horas vagas e está sempre buscando novas ideias para despertar o olhar dos colegas e visitantes para a importância da arte.

A Curadoria foi criada no início da atual gestão, quando o Procurador-Geral do Estado, Ophir Cavalcante Júnior, sensível à importância de preservar e valorizar o acervo artístico da instituição, reuniu com outros integrantes também tocados pelo assunto, para discutir necessidades e ações para promover esse lado da Procuradoria, dando início ao projeto PGE Cultural. Uma dessas ações foi o trabalho de restauração das obras do fotógrafo Luiz Braga.

 “Não podemos seguir para o futuro sem respeitar e preservar o nosso passado” - Roland Massoud é um dos procuradores mais antigos da casa e acompanhou não só grande parte da história da PGE/PA como participou da aquisição das fotografias de Luiz Braga, em 1997. À época, o atual prédio sede da Procuradoria estava sendo inaugurado e várias peças de artes, como pinturas, fotografia e painéis de diversos artistas, foram compradas ou doadas para compor o novo espaço. Atualmente, as fotografias de Luiz Braga são as obras mais valiosas do acervo, pois além da quantidade (são onze obras no total), as peças foram se valorizando desde a aquisição.

Além da qualidade do trabalho, uma das motivações para a escolha das peças foi devido à parte delas retratarem as antigas sedes da Procuradoria e, na opinião de Roland, é importante lembrar às gerações atuais o caminho percorrido pela instituição, suas dificuldades e êxitos para obter o reconhecimento do trabalho desenvolvido no decorrer dos anos,  “acredito que não podemos seguir para o futuro sem respeitar e preservar o nosso passado. Nós temos o dever de conservar”, ponderou.

Durante o evento de entrega das obras restauradas, Roland destacou a importância de trazer a arte para o ambiente de trabalho, não só para suavizar a rotina pragmática do ofício, mas também para incitar um sentimento de pertencimento em cada um dos integrantes da instituição, “além da questão estética, a arte resgata a nossa história e identidade cultural”.  Para o futuro, os planos são continuar realizando o resgate histórico da instituição.

Por fim, o procurador fez um convite a todos para parar um pouco e apreciar as obras expostas pela Procuradoria e atentar para que a arte paraense seja mais apreciada e valorizada, “estamos aqui contando uma história: a história da nossa vida e da nossa instituição”, finalizou.
    
“A arte torna a vida mais leve” – As fotografias de Luiz Braga possuem um valor inestimável: são únicas. Duas (“Crianças na montagem do circo” e “Homem na venda de açaí”), foram coloridas à mão por Luiz, uma técnica que não é mais utilizada pelo artista, o que as tornam ainda mais especiais.

Outra obra, “Mercado do Ver-o-Peso dourado”, está exposta de maneira singular, em tiras verticais. A explicação do o porquê dessa escolha é simples: Luiz explicou que à época (1997) as técnicas de revelação eram limitadas e que, para produzir a foto no tamanho desejado (2mx3m), foi preciso encontrar uma solução original: revelá-la em painéis verticais posicionados lado a lado. Originalmente, estes painéis eram de metal, mas durante o processo de restauração foi utilizado um material com ph neutro, que ajudará a conservar a peça.
   

Para realizar o restauro, foi preciso recorrer às fotografias originais guardadas por Braga e o espaço físico da PGE precisou passar por adaptações para receber de volta as obras, como a adoção de películas nas janelas, para impedir que os raios ultravioletas desbotem as fotos, e molduras novas mais apropriadas para a conservação.

Durante a entrega, Luiz Braga ressaltou o quanto é importante o resgate da relação entre as instituições públicas e a promoção da arte e que iniciativas da Procuradoria, ainda que raras, são essenciais para valorizar a produção cultural local e transformação do ambiente de trabalho em um local menos pragmático, “a despeito de tudo o que está acontecendo lá fora, eu continuo acreditando na poesia e não há nada que diga que aqui dentro não caiba poesia”.

Ao final do evento, o Procurador Adjunto, Gustavo Monteiro, representando Ophir Cavalcante, encerrou refletindo em como a arte faz pensar sobre a realidade e em soluções, “nosso ofício nos demanda pensar fora da caixa e a arte nos proporciona isso”.

Sobre Luiz Braga – Luiz Braga nasceu em Belém e começou a fotografar aos 11 anos. Até 1981, desenvolveu trabalhos em preto e branco. Após essa fase, encantou-se com a cor da visualidade popular amazônica.
Foi premiado em 1991 com o “Leopold Godowsky Color Photography Awards”, pela Boston University. Em 1996, com a Bolsa Vitae de Artes, realizou o trabalho “Amazônia Intimista”. Em 2003 foi homenageado no XXI Arte Pará e recebeu o Prêmio Porto Seguro Brasil.

Realizou mais de 70 exposições no Brasil e no exterior. Tem fotos no Museu de Arte de São Paulo, do Centro Português de Fotografia e do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.